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O que o livro “O Poder do Hábito” pode ensinar para sua empresa?

Tudo aquilo que fazemos todos os dias, repetidamente, pode ser considerado um hábito. Mas você já parou para pensar em como os nossos hábitos são definidos? O que acontece no nosso cérebro para entendermos que devemos repetir determinada atitude? No livro O Poder do Hábito, o autor Charles Duhigg tenta abordar essas e outras questões importantíssimas para o ambiente corporativo.

Para isso, o autor traz exemplos, cases e uma série de informações relevantes que ajudam o leitor a acompanhar tanto o funcionamento, passo a passo, de um hábito, quanto as estratégias mais efetivas para mudá-los ao longo do tempo. É um material muito útil em diversos aspectos.

Se você acha que mudar um hábito é uma tarefa muito difícil, então este post é para você. Nele, você vai entender como instituir uma mudança de hábitos eficiente na sua empresa e quais são os passos que precisam ser levados em conta para isso, com disciplina e consistência.

Ficou curioso? Então, vamos lá!

1. Conheça a obra e o autor

O Poder do Hábito é um livro de 2012, intitulado originalmente como "The Power of Habit", do autor Charles Duhigg. Nele, o autor traz diversos insights sobre como pessoas, empresas e sociedades podem se preparar para adotar bons hábitos em diversos aspectos da sua vida, seja para emagrecer, educar os filhos ou simplesmente progredir na carreira, por exemplo.

Para isso, o autor mostra como os hábitos funcionam e, finalmente, como eles podem ser mudados. Charles explica que os hábitos não podem ser simplesmente cortados fora. Eles precisam ser substituídos e, para isso, é necessário convencer o seu cérebro a fazer essa troca.

Como você pode substituir o hambúrguer pela salada sem tanto sofrimento? Como parar de procrastinar suas atividades na empresa e resolver tudo logo de cara? Qual é a forma de não explodir sempre que algo sai do controle e manter a sua calma para resolver os conflitos? De que maneira substituir aquela hora de TV por uma corrida no fim de tarde?

É possível mudar basicamente qualquer hábito combinando disciplina e persistência. Além disso, existem outras pequenas dicas que podem contribuir bastante para isso. É exatamente sobre esses insights que você vai aprender mais neste post.

Charles é um repórter investigativo do The New York Times e já colaborou com diversos artigos, entre eles:

  • Golden Oportunities (2007);
  • The Reckoning (2008);
  • Toxic Water (2009).

Por esses trabalhos, Duhigg já foi premiado no National Academies of Sciences, no National Journalism, no George Polk, no Gerard Loeb e outros.

O Poder do Hábito é dividido em três partes principais: os hábitos dos indivíduos, das organizações bem-sucedidas e das sociedades. O primeiro deles foca toda a atenção em como funcionam os hábitos das pessoas, desde quando eles surgem até como podemos fazer para mudá-los.

O segundo, por sua vez, traz casos reais de empresas, como a Starbucks, que, a partir da simples mudança dos hábitos organizacionais, conseguiram conquistar um crescimento importante. Por fim, a parte dos hábitos sociais é uma demonstração das atitudes diárias que acabam exercendo influência no nosso comportamento em meios sociais e familiares.

Em geral, o livro demonstra que somos, sim, a somatória dos nossos hábitos, afinal de contas, eles acabam definindo a qualidade das nossas relações, das nossas atividades, das nossas conquistas e assim por diante. Logo, é possível afirmar que o sucesso ou o fracasso, nada mais são do que o resultado dos hábitos que decidimos incorporar nas nossas vidas.

Se você pudesse parar agora, por alguns minutos, e descrever os seus hábitos, certamente conseguiria identificar se está ou não tendo sucesso em relação aos seus objetivos pessoais e profissionais. Que tal fazer esse teste?

Quando optamos por mudar um hábito a fim de instituir uma melhoria em nossas vidas, temos o real poder de decidir que direção ela tomará. Com as atitudes rotineiras certas, podemos construir dia a dia a realidade que desejarmos. É por isso que, em O Poder do Hábito, o autor traz exemplos de como podemos adquirir novos hábitos, justamente para realizar esses pequenos ajustes que qualificam nossa jornada.

Se você quer se tornar um profissional mais competente, precisa se dedicar a aprender um pouco mais a cada dia. Se quer emagrecer, precisa adotar uma dieta consistente. Se quer melhorar seus relacionamentos, terá que dedicar mais tempo a eles, e assim sucessivamente.

Tanto aqueles costumes positivos quanto os negativos só ocorrem a partir da nossa permissão. Isso significa que precisamos conceder espaço para que uma exceção tome lugar nos nossos dias. E, depois, que ela se repita mais uma vez, e outra, e mais uma, até que ela se torne tão automática que deixa de ser uma exceção para se tornar a regra.

Apresentando esse mecanismo, Charles dá as chaves não só para abandonar hábitos nocivos, mas também para adotar mais daqueles que podem realmente nutrir nossos desejos mais genuínos, que podem ter a ver com sucesso financeiro, reconhecimento de carreira ou simplesmente relacionamentos mais saudáveis com as pessoas que amamos. Tudo pode ser construído a partir do hábito.

Em geral, o livro também aborda a sensação de recompensa que o cérebro produz quando percebe que estamos repetindo uma atitude já conhecida. É esse pequeno sentimento que fortalece um hábito, pois ele informa que a rotina é algo seguro e prazeroso.

E é dessa maneira que o autor vai costurando a apresentação do tema e perpassando diferentes abordagens sobre ele, mostrando que tanto na vida pessoal quanto na social e na corporativa os hábitos seguem um padrão. Ao entender isso, você rompe a barreira que mantém seu cérebro funcionando a partir de escolhas inconscientes e ganha o poder de decidir que hábitos quer desenvolver.

2. Veja o que “O Poder do Hábito” pode ensinar para sua empresa

Agora que você já entendeu brevemente como os hábitos se desenvolvem e funcionam na nossa mente, chegou a hora de descobrir quais são as principais contribuições que Charles percebeu que eles podem trazer para o dia a dia de uma empresa. Ficou interessado? Então, aproveite!

2.1. Os hábitos funcionam como um loop

A primeira grande lição deixada pelo livro O Poder do Hábito é que os hábitos são algo cíclico e que funciona em loop. O que isso significa? Bem, imagine se você tivesse que estar 100% presente, o tempo todo, para qualquer tomada de decisão na sua vida. A verdade é que você não precisa. Grande parte das coisas que você escolhe durante o seu dia são feitas pelo hábito.

Você não precisa decidir para que lado penteia o cabelo ou que rua vai seguir para chegar ao trabalho. Provavelmente essas são atividades rotineiras e habituais, em que você nem precisa pensar para fazer.

Para o seu cérebro, é muito mais fácil reconhecer esses e outros padrões e repeti-los do que criar uma nova informação a todo momento. É por isso que o mecanismo da criação de um hábito é tão fácil de ser acessado para o nosso subconsciente, afinal, é como se ele puxasse um arquivo já existente em uma grande base de dados.

De acordo com Duhigg, o ciclo dos hábitos acontece por meio de:

  • uma deixa;
  • uma rotina;
  • uma recompensa.

Em outras palavras, você recebe um gatilho, que desencadeará uma ação (a rotina) ligada a uma recompensa. A recompensa pode ser compreendida como qualquer sensação de que você cumpriu o seu "dever". Toda vez que uma escolha se apresenta, você puxa seu arquivo mental para decidir qual é a reação que precisa adotar para ganhar novamente aquela tão desejada recompensa. E o processo se repete toda vez.

2.2. Ter uma rotina é fundamental

Para o autor do livro, os hábitos dependem de uma rotina. Isso diz respeito à forma como uma deixa ou atitude é executada. Se toda vez que você estiver com fome optar por abrir a geladeira e pegar qualquer guloseima pronta dali, provavelmente se habituará com a ideia e fará isso com uma frequência cada vez maior.

No entanto, o que ajuda a identificar se aquele hábito é ou não uma boa para o seu cérebro é a próxima etapa, a recompensa. Qual é o sentimento que vem logo a seguir depois do lanchinho? Satisfação ou culpa? Quanto mais positiva for a recompensa, mais fácil será adotar o novo hábito.

Se o cérebro decidir que a recompensa vale a pena, ele gravará esse loop para usá-lo no futuro. Em outras palavras, se comer uma guloseima da geladeira cada vez que bater a fome for algo satisfatório, a tendência é que isso se torne um hábito ainda mais rápido. Dessa maneira, toda vez que o gatilho for acionado, a reação será automática.

Por essa razão, é preciso ter inteligência emocional e atenção para a forma como você reage a tudo o que acontece à sua volta, especialmente no ambiente de trabalho. Isso poderá ser a diferença entre cumprir com maestria suas tarefas ou ficar postergando tudo até o último minuto, por exemplo.

Não se esqueça: o hábito é a somatória daquilo que você faz todos os dias (hoje, amanhã, depois de amanhã e depois de depois de amanhã) repetidamente.

2.3. É preciso acreditar na mudança

Pode parecer que não faz muita diferença, mas acreditar na mudança é uma das premissas para que ela realmente aconteça. Isso vale também para os hábitos, especialmente aqueles que estão relacionados a crenças e gatilhos emocionais.

Se você tentar mudar um hábito duvidando de que isso realmente seja possível, provavelmente se boicotará no processo, acabando com as suas chances de sucesso. No entanto, se acreditar que consegue, uma motivação extra tomará conta de você, servindo como um estímulo.

Se a sua empresa acredita que é muito difícil conquistar clientes ou que uma reclamação significa o mesmo que um cliente perdido, então provavelmente ela fará de tudo para validar esse ponto de vista. No entanto, quando as pessoas passam a ver essas circunstâncias como oportunidades de melhoria, o posicionamento se altera completamente.

Dessa forma, acreditar que a mudança de hábitos é possível — que a substituição de uma atitude negativa por outra mais construtiva é possível — é o que a torna mais próxima de se tornar real. Esse é o ingrediente que transforma uma pequena ação em um comportamento permanente.

2.4. Os hábitos angulares são importantes

Assim como existem hábitos limitantes, alguns hábitos podem servir como catalisadores de outros, ainda mais benéficos. Eles são chamados de hábitos angulares e costumam ajudar a pessoa ou mesmo a empresa a conquistar outros hábitos, afinal, servem como uma espécie de reforço positivo.

Essas pequenas vitórias alcançadas a partir deles motivam os envolvidos, aumentando o estímulo para continuar construindo a mudança de hábitos. Um exemplo disso abordado no livro O Poder do Hábito é o acompanhamento de um diário por quem decide fazer uma dieta. Apesar do objetivo inicial ser perder peso, o hábito do monitoramento diário ajuda a identificar os maiores gargalos.

Se você está comendo bobagens demais ou tendo poucos hábitos saudáveis, provavelmente essas informações se repetirão no seu diário. Olhar para isso é o que vai ajudar você a entender que realmente há algo que precisa ser mudado. É diferente de apenas desconfiar que você está comendo doces vezes demais para se manter saudável.

Se você parar para pensar, isso acontece em qualquer ambiente. Você pode ter a impressão de que está sendo menos produtivo do que gostaria, mas só vai ser capaz de identificar, realmente, se está entregando todas as demandas de trabalho necessárias se acompanhar isso de perto. Portanto, nesse exemplo, o próprio costume de fazer esse controle pode ser um hábito angular muito potente.

Dessa maneira, ainda que uma ação não esteja diretamente relacionada com o objetivo primordial de uma companhia, ela pode contribuir para construir hábitos saudáveis para a obtenção daquela meta. Assim, criam-se motivação e uma espécie de ambiente favorável para conseguir chegar a um resultado específico.

2.5. O autoconhecimento é essencial

O autoconhecimento é outro dos ingredientes-chaves da mudança de um hábito. Isso porque o primeiro passo para realmente entrar de cabeça nessa jornada é entender quais são os hábitos que precisam ser alterados, que gatilhos desencadeiam determinadas atitudes e de que forma o seu cérebro recebe as recompensas criadas por eles. É a partir daí que o trabalho começa, de fato.

Antes de fazer uma análise criteriosa e decidir quais são os hábitos que devem ser adotados, é necessário entender como você ou a sua equipe já estão se comportando e que tipo de resultados isso tem gerado para vocês. Lembre-se sempre de que a mudança de atitudes é, na verdade, um processo de substituição. E você não conseguirá substituir algo que sequer conhece.

Portanto, para aumentar a confiança no ambiente de trabalho ao adotar uma mudança que envolve a todos, procure conhecer a fundo a situação atual. Isso vale tanto para um grupo (uma pequena equipe) quanto para um indivíduo.

Se for possível, peça para que cada um faça uma autoavaliação e indique aqueles aspectos que eles acreditam ser passíveis de melhoria. A partir daí é possível trabalhar os outros aspectos — entender a deixa e a recompensa por trás das atitudes tomadas.

Você acha que não se conhece o suficiente ou que a sua equipe não se conhece o bastante para alterar seus hábitos? Não tem problema. Faça experimentos. Alterne recompensas e explore novas possibilidades, identifique o que mais funciona caso a caso. Lembre-se de que, sobretudo, deve ser algo prazeroso para que se perpetue ao longo do tempo, do contrário, não será motivador repetir.

2.6. Mudar um hábito exige um processo

Em O Poder do Hábito, o autor deixa claro que a mudança de um hábito é um processo, que não acontecerá de uma hora para outra. Por isso, para ele, é preciso seguir alguns passos, como os que você verá a seguir:

  • identifique o hábito que você quer mudar, entenda qual é a deixa, a rotina e a recompensa criadas por esse comportamento repetitivo;
  • encontre uma rotina que seja uma boa alternativa, já que você não poderá erradicar quaisquer hábitos, apenas substitui-los;
  • experimente novas recompensas que estejam atreladas à sua produtividade no trabalho ou que apenas atribuam mais qualidade de vida.

A partir desses passos, é possível começar a "convencer" sua mente de que o novo hábito é, na verdade, muito mais benéfico que o anterior. Isso ajudará você a se manter disciplinado e consistente na execução dos novos padrões.

Se for preciso, tome nota dos passos anteriores e revisite-os sempre que for necessário. O importante é que essas informações se mantenham frescas na sua mente e que você consiga incorporá-las aos poucos, seja pessoalmente ou por meio da sua equipe, melhorando a performance de todos.

2.7. O poder da força de vontade

Dificilmente alguém conseguirá mudar tudo o que deseja de uma só vez. O mesmo é válido no mundo corporativo. No entanto, Charles apresenta que a força de vontade é um componente importante para manter a constância e conseguir bons resultados. É por isso que se diz que um hábito é um músculo que precisa ser exercitado.

Além disso, a força de vontade tem o poder de estimulá-lo constantemente a realizar um objetivo. Quando você tem força de vontade para fazer algo uma vez, é mais provável que a tenha para fazer de novo e de novo. Com o tempo, a tendência é que esse movimento se torne automático e o esforço se transforme em algo natural.

Ainda que uma empresa não seja boa fazendo uma determinada atividade, quanto mais ela se aplica para repeti-la incansavelmente, mais perto ela fica de conquistar o domínio sobre aquela ação. Por esse motivo, em muitos casos, o sucesso não é só sobre o feeling para a coisa, mas sobre o esforço aplicado sobre ela.

Retomando os principais aspectos do livro, podemos reforçar que:

  • os hábitos são uma tomada de ação que as pessoas fazem intencionalmente, mas repetem inconscientemente;
  • as pessoas podem mudar seus hábitos, desde que entendam como eles funcionam;
  • o loop de um hábito segue alguns estágios que sempre levam a buscar uma recompensa;
  • o entendimento sobre um hábito ajuda a alterá-lo mais facilmente;
  • a correção dos hábitos pode ser difícil, afinal, eles satisfazem algum desejo, mesmo que inconsciente;
  • os hábitos são apenas uma sugestão de como agir, mas você pode refutá-la;
  • a alteração de alguns hábitos pode incentivar comportamentos bons ou alterar outros ruins.

Sabendo de tudo isso, você pode utilizar a mudança de hábitos como uma ferramenta estratégica para a transformação dos comportamentos da sua equipe, ajudando a otimizar seus resultados. Para isso, é preciso preparar cada um deles para reconhecer seus padrões e substitui-los, de maneira que a recompensa para cada um seja satisfatória.

Pode não ser tão simples relacionar tudo isso à rotina de uma empresa. Mas a verdade é que: se nós somos a soma dos nossos hábitos, uma empresa também é a somatória dos hábitos das pessoas que fazem parte dela. Isso vai muito além da missão, visão e valores de um negócio. Diz respeito aos processos diários e ao que realmente é posto em prática, executado.

Para estabelecer hábitos mais saudáveis e produtivos, dedique-se a conhecer a sua empresa e as pessoas que trabalham nela. Entenda quais são as maiores dificuldades enfrentadas e que marcas são deixadas na rotina empresarial. A partir disso, será mais fácil instigar mudanças positivas e construtivas.

Não se esqueça de dar autonomia aos seus colaboradores para que eles se adaptem de acordo com as suas necessidades e os próprios fatores motivacionais. Lembre-se de que o seu papel é mais de orientador que de definidor de recompensas, por exemplo.

Por fim, não se esqueça de que os consumidores também têm hábitos próprios, que variam de acordo com seu estilo de vida e o meio em que vivem. Por isso, fique ligado no comportamento deles a fim de desenvolver abordagens mais eficientes.

A Aspectum pode ajudar com um treinamento corporativo completo sobre mudança de hábitos que, certamente, encurtará caminhos e orientará seus talentos por essa jornada de autodescobrimento e autoaperfeiçoamento.

Se você quer saber mais sobre o assunto, aprofundar-se no conteúdo de O Poder do Hábito ou já preparar a sua equipe para essa transformação, converse com a gente!

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